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segunda-feira, 31 de agosto de 2009

O pós APAMI

Efectivamente terminado o Projecto APAMI, do qual fiz parte, e porque tal como já foi referenciado neste blog "nem todos os projectos são para toda a vida", miúdos e graúdos partiram para novas descobertas desportivas, a saber:

A Sara, 6º Kyu Karate, considerada Atleta Feminina do Ano pela APAMI, iniciou-se no Futsal na ACDCotovia, onde participou em vários torneios, sendo a única atleta feminina nos Pré-Escolas, demonstrando que o Futsal não é só para rapazes.
Aliado ao Futsal começou também a praticar Ténis no Clube Ténis de Sesimbra, que conta actualmente com novas instalações na Maçã.


O Ricardo, 4º Kyu Karate, dedicou-se ao Hóquei em Patins no Grupo Desportivo de Sesimbra, modalidade com um historial de relevo no Hóquei Nacional, integrando actualmente a equipa de Iniciados do GDS.


Quanto aos graúdos, quatro dos graduados da APAMI, mudaram-se de armas e bagagens para a defesa pessoal, nomeadamente o Krav Maga e que são:

Carlos Matos, 1º Dan Karate e ex-Tesoureiro APAMI, que actualmente pratica o Krav Maga na vertente civil e policial e integra um outro projecto, fazendo parte da Direcção do COP (www.estagioscop.blogspot.com)


Horácio Ferreia, 1º Kyu Karate e Vogal do Conselho Fiscal da APAMI e Filipe Mendes, 1º Dan Karate

E mais recentemente, António Bastos (em pé, terceiro a contar da direita), 2º Dan Karate, que apesar de ser Instrutor de Karate, não teve pejo em começar do ínicio uma outra arte de combate
Quem sabe se num futuro próximo, um outro projecto não nasce e todos estes atletas se juntam de novo? Até lá para todos os atletas ex-APAMI, um grande abraço.

Carlos Matos

Portugal: País maravilhoso

sábado, 29 de agosto de 2009

Continuando com poesia

João Villaret - Cântico Negro - de José Régio


João Villaret - O Mostrengo - de Fernando Pessoa



Maria Bethânia - Poema do Menino Jesus - Fernando Pessoa


Karla Jacobina - Cântico Negro - de José Régio

Ana Carolina "Só de sacanagem"

Porque a cultura também pode ser sacanagem!

A cantora Ana Carolina declamando o texto "Só de sacanagem" de Elisa Lucinda.

Siza Vieira homenageado



O ministro da Cultura, José António Pinto Ribeiro, entregou hoje, sexta-feira, a Medalha de Mérito Cultural a Siza Vieira na Casa de Chá da Boa Nova, em Leça da Palmeira, Matosinhos, uma das primeiras obras do arquitecto.

Segundo o Ministério da Cultura, a medalha é atribuída a Álvaro Siza Vieira "em reconhecimento do seu percurso de cidadão, da projecção nacional e internacional da sua obra arquitectónica e do seu contributo para o prestígio e dignificação da cultura portuguesa".

A homenagem ocorreu no final de uma visita do ministro à Área Metropolitana do Porto, que incluiu também a apresentação de uma pintura de Vieira Portuense e a assinatura de um protocolo com a Associação Amigos do Coliseu do Porto.

Fonte: Lusa

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

A Guitarra Portuguesa




António Chainho exímio tocador deste nobre instrumento

A Guitarra Portuguesa
Por Ernesto Veiga de Oliveira

A «guitarra portuguesa» é um cordofone com a caixa harmónica piriforme - o bojo ou cabaço -, sem enfranque, a aguçar para o braço, e de fundo chato e tampos aproximadamente paralelos. A sua boca é redonda; arma com seis ordens de cordas todas metálicas, as três primeiras com cordas lisas, as três últimas com corda lisa e bordão em oitava.

As primitivas guitarras tinham as primeiras quatro ordens duplas, e as duas últimas singelas - dez cordas portanto ; actualmente, todas as ordens são duplas (e há mesmo casos em que as três últimas ordens são triplas).

Silva Leite, em 1796, dá-lhes, do agudo para o grave, os nomes de primas, segundas, terceiras, quartas, quinta e sexta, e indica as seguintes qualidades: primas(duas), carrinho n.° 8 (arame branco); segundas (duas), carrinho n.° 6 (arame branco); terceiras (duas) carrinho n.° 4 ; quartas (duas), bordões cobertos ou bordões G--sol-ré-ut (amarelas); quinta, bordão de E-lá-mi; e sexta, outro bordar de G-sol-ré--ut. César das Neves, por seu turno, dá àquelas cordas os nomes de primas, segundas, toeiras, e bordão de primas, bordão de segundas e bordão de toeiras, indica as seguintes qualidades : verdegais de aço n.° 8 ou 9 para as primas, 6 ou 7 para as segundas, 4 ou 5, ou amarelas, para as toeiras, e bordões n.º l, 2 e 3 para os três bordões respectivamente. Os guitarristas mais recentes chamam terceiras ás toeiras, e indicam cordas de aço nº l0, 8 e 4 para as cordas lisas, respectivamente. A afinação desta guitarra era sol3 -mi3 -dó3 -sol2 -mi2 -dó2 .

A escala é em ressalto sobre o tampo, vindo até à boca. Esses primitivos modelos eram de dimensões consideravelmente mais pequenas do que os actuais, especialmente no braço, e sobretudo na caixa, que era por vezes mesmo extremamente diminuta e baixa. O número de trastes era então menor do que hoje: em 1796, Silva Leite indica doze (ou seja uma amplitude de duas oitavas e meia - como no cistro - própria para acompanhamentos); nos começos do século XIX, viam-se catorze ou quinze; em 1875, aparecem guitarras apenas com dez, para acompanhar a voz no fado; hoje obrigatoriamente, eles são sempre em número de dezassete (correspondendo a três oitavas e meia).

Segundo Armando Simões, em Coimbra, no século XIX, não se construíam guitarras: a verdadeira indústria da construção desses instrumentos, naquela cidade, remonta ao fim do século XIX e primeiro quartel do século XX. As primeiras guitarras ali utilizadas vieram de Lisboa, trazidas pelos estudantes; mais tarde elas vinham do Porto, mesmo quando já lá as faziam.

Actualmente, os violeiros fabricam guitarras de três tipos: o de Lisboa, que é o mais pequeno, com caixa menos alta e sobre o redondo, de timbre mais «aguitarrado», ajustado aos «tremidinhos» ou trinados do fado corrido; o de Coimbra, que é o maior, com a caixa mais aguçada e a escala mais comprida, ajustada ao tipo de balada dessa forma, em que a guitarra acompanha o canto com acordes; o do Porto (e Braga), semelhante ao de Coimbra, mas um pouco mais pequeno.A guitarra de Lisboa, própria para profissionais, é de factura cuidada, e tem um som mais brilhante; a de Coimbra, própria para amadores, e para ser tocada ao ar livre, é em regra mais barata. Num modelo antigo comum, a guitarra pode medir cerca de 73 cm de comprimento total, sendo 19 para a cabeça, 20 para o braço e mais 7 para a escala, e 34 para a caixa; a largura máxima desta é de 27 cm, e a altura 8. Num modelo recente comum, por sua vez, ela pode medir cerca de 81 cm de comprimento total, sendo 20 para a cabeça, 18 para o braço e mais 14 para a escala e 43 para a caixa, com 38 de largura máxima, e 8 a 9 de altura. A escala, junto á boca, pode ser cortada por esta ou terminar em curva que lhe fica tangente, ora ainda formar recorte assimétrico do lado das cordas mais agudas, que vem um pouco abaixo, já sobre a boca. Ainda segundo Armando Simões, as guitarras do tipo de Coimbra afinavam dois pontos mais baixo que o lamiré, embora a sua escala fosse mais comprida e com o mesmo número de pontos que as dos tipos de Lisboa e do Porto; nelas, as ilhargas eram muito baixas, ficando o tampo e o fundo muito próximos, com prejuízo do brilho do som, que em contrapartida era mais grave e mimoso; e esta característica ter-se-ia fixado nos fins do século XIX, a partir da guitarra do Hilário, construída em Lisboa por Augusto Vieira.

A cabeça é em Voluta ou gancha. Na guitarra de Silva Leite, ela terminava num pequeno escudo quadrado, que algumas vezes mostrava embutidos em madrepérola ; mais tarde, esse motivo tomou um formato oval, e ultimamente de coração, com monograma (quando o instrumento é de estudantes). Este pormenor ainda hoje se vê nas guitarras construídas ou usadas em Coimbra. Nas guitarras de Lisboa, a gancha ou Voluta é geralmente em caracol; nas do Porto, ela é constituída por uma flor; e, nas guitarras antigas via-se também, por vezes, volutas em cabeças de animal ou com outros motivos - parecendo, em todos os casos, representar o antigo cravelhal do cistro.

Na face anterior da cabeça, num cavado triangular, fixa-se a chapa que faz de cravelhal onde prenderão as cordas, em cima. As chapas, nos exemplares mais antigos, eram do sistema de tarracha e chave, e, de entrada, vinham de Inglaterra: seguidamente o violeiro Sevilhano, do Porto, começou a fazê-las cá, e João José de Sousa, de Lisboa, e Domingos José de Araújo, de Coimbra, e depois outros, seguiram-lhe o exemplo. Hoje, as chapas são sempre do sistema de leque metálico, que veio substituir a tarracha e chave. Noutras formas, também antigas, e em geral mais pobres, aparecem guitarras com cabeça lisa, de madeira, e cravelhas dorsais, como as violas. Em baixo, as cordas fixam-se na ilharga, ao fundo, pelo sistema de atadilho, com botões.

Sempre segundo Armando Simões, o fundo da caixa é em regra plano; mas nos exemplares de construção mais esmerada ele pode ser ligeiramente abaulado. Para o tampo usam-se madeiras pouco densas e portanto mais flexíveis, para que vibre melhor com o som - como sejam a casquinha, o pinho de Flandres ou de Veneza, ou ainda o «Spruce» alemão. A meio abre-se o orifício da boca, que, no século XVIII e começos do XIX ostentava uma bela rosácea lavrada decorativa, também como nos cistros; em algumas guitarras boas (mas raras) vê-se uma boca de cada lado, equivalendo aos «ouvidos» dos cordofones de arco. Para o restante da caixa - fundo e ilhargas - escolhem-se madeiras densas, que reflectem melhor, contra o tampo, o som produzido pela vibração das cordas, como o ébano, o pau-santo, o arce, o mogno, o cedro, a nogueira (e também, nas guitarras de Coimbra, o plátano ou o choupo, que, embora pouco densas, abundam na região), conforme o gosto de cada um e, de certo modo, a sonoridade que se pretende obter; mas, como vimos com os demais cordofones, aparecem muitas vezes exemplares em madeiras escolhidas, com ornatos embutidos de grande riqueza, em osso, marfim e madrepérola. Nos níveis aristocráticos, e na fase mítica do fado, a que adiante aludiremos, aparecem mesmo sumptuosas guitarras de luxo, com o tampo nessas madeiras preciosas e completamente recamado de embutidos. Silva Leite, para que uma guitarra seja boa, indica três princípios a observar: 1) Boa madeira, plátano, e o tampo, de Veneza, de veio fino e rija; o bojo, ou cabaço, redondo para a parte do cavalete, estreito para o « ponto» ; o comprimento desde a 12ª divisão para o cavalete deve ser igual ao da «pestana» para a 12ª divisão. 2) Proporção nas suas partes, sobretudo nas doze divisões do «ponto», 3) Cavalete no seu lugar certo.

A guitarra toca-se numa combinação de pontiado e de rasgado. A mão direita é que bate as cordas, sossegadamente e « sem dar saltos», na altura da boca; o mínimo (e ás vezes também o anelar) apoia no tampo, junto ás primeiras cordas; o médio e o indicador (e outras vezes também o anelar) correm, direitos e flexíveis, as cordas. Com a esquerda (cuja posição varia conforme os tocadores) premem-se as cordas, na escala; mas apenas o polegar e o indicador dedilham «com a ponta da unha» (Silva Leite), e nesses dedos usa-se ora as unhas crescidas ora um curto plectro; o polegar trabalha no bordão de terceiras, ás vezes no de segundas, mas nunca nas três primeiras cordas (hoje em dia isto já não é verdade, obs. nossa); o indicador trabalha nestas, mas pode, sendo conveniente, ir aos bordões, O tocador está geralmente sentado, o corpo direito e á vontade, o instrumento sobre a coxa direita e encostado contra o peito, à esquerda, o leque inclinado para o ombro esquerdo, o braço apoiado, junto à pestana, entre o polegar e o indicador desse lado, sem encostar a palma da mão e sem apertar contra o peito.

Segundo uma corrente que goza em Portugal de grande popularidade, a « guitarra portuguesa» actual seria de origem árabe. Tal orientação funda-se em geral, sem critica, na razão meramente verbal de uma suposta equiparação do nosso instrumento actual á velha «guitarra mourisca» ou «sarracenica», e no facto da sua associação ao fado, a que essas mesmas orientações atribuem também, por via de regra, origens árabes. Vimos já que a «guitarra mourisca» está na origem de uma linhagem instrumental completamente diferente - as mandolas e mandolinas -, e que a associação da actual guitarra ao fado é um fenómeno muito recente; de facto, parece indubitável que esta «guitarra portuguesa» actual não é senão uma forma nacional, tardia, do cistro europeu seis ou setecentista (que, salvo no que respeita ao cravelhal, tem de facto exactamente a mesma forma que ela, e até em alguns casos o mesmo número de cordas e afinações ,muito apreciado, como dissemos, em Inglaterra nessas eras, onde levava o nome deveras significativo para o nosso caso, de «english guitar», ele próprio talvez herdeiro das cedras ou citolas medievais.

Estes antepassados do cistro, mesmo depois da época trovadoresca, continuaram possivelmen-te a cultivar-se entre nós; de facto, são talvez cedras ou citolas os instrumentos que vemos representados num capitel do pórtico manuelino da igreja do castelo de Viana do Alentejo, na arquivolta do pórtico da Batalha ,no frontão alto da Igreja de Nossa Senhora da Oliveira, em Guimarães , etc. ; Philipe de Caverel refere-o, sob o nome expresso de cistro, em Lisboa, em 1582. Parece também ser um cistro o instrumento que figura nas mãos de um dos anjos na tela seis ou setecentista da Adoração dos Pastores da Igreja de Santa Maria da Alcáçova em Elvas. Apesar disso, porém, não se pode afirmar que a « guitarra portuguesa» de hoje represente o prolongamento directo e especifico da tradição desses velhos instrumentos (e muito menos ainda, como ficou dito, das demais «guitarras» medievais, que nenhuma relação têm com ela). As referências a eles são escassas, e é de crer que, entre o povo, o seu rasto se perdera. O próprio Caverel nota que o instrumento é pouco comum e usado apenas pela gente «mais polida», parecendo pois tratar-se de uma espécie culta ou citadina, cultivada esporadicamente e já talvez por influência geral da moda europeia, mais do que pela força de uma antiga corrente que tivesse perdurado. Na verdade - e sem recusarmos inteiramente possíveis raízes anteriores mais ou menos ténues -, o formato da nossa guitarra actual, e sobretudo o complexo cultural, tão fortemente marcado, em que ela hoje se integra indissoluvelmente, nada parece terem que ver com quaisquer instrumentos nacionais anteriores. A «guitarra portuguesa» representa, segundo toda a probabilidade, a difusão - de resto restrita -, aqui processada não antes do século XVIII, desse cistro ou «guitarra inglesa» do século XVII, adaptada seguidamente a um género vocal próprio, também recente e alheio mesmo á gente do campo, a que as características do instrumento se ajustavam muito convenientemente.

Mário de Sampayo Ribeiro, na falta de noticias expressas e de outros dados, fixa a data provável do aparecimento desse cistro em Portugal entre 1789 - ano em que é publicada a Nova Arte da Viola, de Manuel da Paixão Ribeiro, que ignora ainda completamente a guitarra - e 1796, em que ela é pela primeira vez mencionada, no Estudo da Guitarra, publicado no Porto por António da Silva Leite, para uso dos seus inúmeros discípulos, e em virtude da aceitação e do sucesso que o instrumento tinha entre nós. Por essa obra se vê que as guitarras vinham, de entrada, da Inglaterra, onde eram construídas por um senhor Simpson, mal começavam então a ser aqui copiadas, havendo no Porto um construtor - Luís Cardoso Soares Sevilhano - que já as fazia nessa data quase tão boas como as inglesas .A guitarra armava então, como dissemos, com quatro cordas lisas duplas e dois bordões singelos, e afinava em dó maior, sol - mi - do (duplas em uníssono) - sol - mi - dó (duplas em oitava), do agudo para o grave . Ela estava então já muito difundida no Porto, onde se usava como instrumento de sala, com acompanhamento de segunda guitarra, substituindo o cravo ou outros instrumentos parecidos, «e assaz suficiente para entretenimento de huma assembleia, evitando o convite de huma orquestra». A guitarra, que Silva Leite julga também ser de origem inglesa, teria, segundo Mário de Sampayo Ribeiro, sido introduzida pela colónia inglesa no Porto, muito importante desde os princípios do século XVIII; assim, seria nos fins desse século, a partir daquela cidade, que ela se difunde por todo o Pais, começando, nas mãos do povo, a substituir a viola, até então dominante . Sempre segundo aquele autor essa fase inicial da popularização e aportuguesamento da guitarra deve corresponder aos tipos com cabeça lisa e cravelhas, como as das violas, porque os nossos violeiros, que as começavam a construir regularmente, não estavam apetrechados para fazerem as cabeças com tarrachas e chave, como os instrumentos ingleses (deve-se notar, porém, que Silva Leite, em 1796, fala já em guitarras de cravelhas).

Mas, segundo o Autor, a viola tinha sobre o novo instrumento uma vantagem: a conjunção de bordões e cordas lisas, que permite dar a mesma nota em oitava e que é uma disposição herdada já da viola quinhentistas de cinco ordens. Ainda segundo Mário de Sampayo Ribeiro, certamente, então, um construtor, cujo nome não ficou registado, teve a ideia de aplicar á guitarra uma dessas cabeças de viola de cinco ordens, mas com doze cravelhas, e, respeitando as seis ordens do novo instrumento, pô-las porém todas em cordas duplas, as três primeiras como já o eram, as três últimas substituídas pelo conjunto de bordão e corda lisa (ficando esta do lado de fora), segundo aquela tradição do encordoamento da nossa viola ; essa nova guitarra - a «guitarra portuguesa» - seria assim a criação de um construtor anónimo dos princípios do século XIX, que tem de tradicionalmente nacional a alternação dos bordões com corda lisa, que, embora seja um traço que ocorre em instrumentos populares de muitos países, se conhecia entre nós de velha data, na viola. Mais tarde, adoptou-se um encordoamento com os três bordões duplos. A partir daquela data, aparecem inúmeros violeiros em Lisboa, de grande nomeada, João José de Sousa (talvez discípulo do Sevilhano, do Porto), dos princípios do século XIX, Henrique Rufino Ferro, dos meados desse século, Manuel Pereira, Augusto Vieira, João da Silva, Domingos José Rodrigues, e igualmente em outras partes, como os Sanhudos, no Porto, e Domingos José de Araújo, em Braga , talvez também discípulo do Sevilhano etc., que constróem instrumentos de excelente qualidade e vão introduzindo modificações que cada vez o especializam mais, relativamente ao género musical que lhes fica ligado exclusivamente, criando mesmo instrumentos de feitura luxuosa, perfeitos e dispendiosos.

A descoberta de uma guitarra, que uma tradição discutível atribui à famosa «fadista» do século XIX, a Severa, de cravelhas e de feição muito popular, construída em Lisboa por Joaquim Pedro dos Reis e datada de 1764, sem contrariar fundamentalmente a teoria explicativa de Mário de Sampayo Ribeiro, a ser autêntica, obrigaria a rever toda a cronologia que esse Autor aponta. Trinta e dois anos pelo menos antes do Tratado de Silva Leite, não só se cultivaria a guitarra entre nós, e não apenas no Porto , mas pelo menos também em Lisboa, mas mesmo ela já aqui se faria numa forma que corresponde á sua segunda fase, e não como instrumento exclusivo de salas, mas igualmente do povo. Dentro da hipótese de Mário de Sampayo Ribeiro, poder-se-ia supor que os cistros ingleses, antepassados da nossa guitarra, tivessem vindo para o Porto muito mais cedo do que aquilo que Silva Leite deixa entender, talvez pouco depois da celebração do Tratado de Metween, e consequente afluxo e fixação de gentes inglesas na metrópole nortenha, e que daí passassem para as salas portuenses, e destas para o povo; é certo que Silva Leite, em 1796 , fala ainda de guitarras de dez cordas e do sistema de tarracha e chave, quando este espécime, que existiria pelo menos há trinta anos, é já de doze cordas e de cravelhas; mas isto poderia explicar-se especialmente pelo facto de Silva Leite se referir ao instrumento burguês, e ser de admitir que, ao lado desse, se tivesse obscuramente definido uma forma popular afim, que lhe adaptasse, como sugere Mário de Sampaio Ribeiro (mas muito antes do que este musicólogo supõe) o encordoamento e até o braço e o cravelhal da viola, também instrumento popular, e aos quais, como dissemos, o próprio Silva Leite já mesmo alude. O silêncio de Manuel da Paixão Ribeiro acerca do novo instrumento é menos de estranhar, não só porque ele trata especialmente da viola, mas também porque, mesmo com esta nova cronologia, a guitarra, em 1789, não tinha então chegado a Coimbra, donde o Autor é natural e onde o seu livro é publicado.

António Osório não parece acreditar na autenticidade desta «Guitarra da Severa», que se integra com particular coerência no processo genético da mitologia fadista. E Armando Simões, na mesma linha, e em decidida contestação, escreve: «a referencia ao ano de 1764 é perfeitamente anacrónica» : «admitindo que em 1764 houvesse já guitarras no Porto,... estas seriam de fabrico inglês e de chapas metálicas de leque», de acordo com a descrição de Silva Leite, de 1796; «a adaptação das cabeças das violas de arame à guitarra faz-se em Lisboa, e data do segundo quartel do século XIX»; e enfim, «as escalas do século XVII (querendo certamente dizer «século XVIII»), não só nas guitarras mas nos instrumentos congéneres, como cistros, violas, e outros, eram de doze pontos, a que correspondia a extensão de uma oitava em cada corda, ao passo que neste exemplar já é de dezassete pontos».

A questão é certamente duvidosa, e de grande melindre. Em todo o caso, porém, notaremos que vários cistros dos séculos XVI, XVII e XVIII possuem escalas com dezassete pontos: o cistro de Girolano de Virchi, de Brescia, de 1574, que pertenceu ao arquiduque Fernando do Tirol; o cistro reproduzido na obra Theatrum Jnstrumentorum, de Michel Praetorius, de I6I5-19 os dois cistros reproduzidos na obra Harmonie Universelle, do Padre M. Mersenne, de 1636 ;as violas de Georgius Sellas, de Veneza, também da primeira metade do século XVII, e de André Hulinzki, de Praga, de 1754; o cistro de Perry, de Dublin, de 1800 (com dezasseis trastos); e outros.

Pedro Caldeira Cabral, com base em dados por ele próprio entretanto descobertos e estudados, pôde formular uma nova hipótese acerca das origens e filiação desta nossa guitarra actual. Pelo especial interesse e importância do assunto, como contributo inédito para a resolução de um dos grandes problemas que a nossa organologia suscita, e que se encontrava em aberto .

A «guitarra portuguesa» está actualmente ligada indissoluvelmente e fundamentalmente ao fado (com acompanhamento de violão), tanto na sua forma de Lisboa como na de Coimbra , mas essa ligação parece na verdade ser um facto recente . No fado corrido, ela faz simplesmente o acompanhamento do canto; quando não há cantor, o guitarrista fantasia variações sobre o tema, abandona-se á inspiração do momento, borda floreios e ornatos. Nos seus primórdios, porém, ela parece ter sido um instrumento da burguesia, que servia qualquer género musical, «sonatas», «minuetos» , « marchas» , «contradanças» (Silva Leite) e « modinhas», em substituição do cravo e outros instrumentos para entretenimento de uma assembleia com dispensa de uma orquestra; era pois , então, um cordofone de sala, e o próprio Silva Leite escreveu para ele (com mais um violino e duas trompas) várias sonatas, em 1792 ; ainda hoje, alguns dos seus mais genuínos cultivadores tocam nela, a solo, transcrições mais ou menos felizes ou apropriadas de toda a espécie de música, de que, graças à sua estrutura e peculiaridades técnicas, ela exagera os valores expressivos; esse caracter, de resto, mantém-se no fado de Coimbra. Por outro lado, a guitarra usa-se muitas vezes noutros géneros musicais populares, cantares festivos ou danças, em rusgas e tunas a par de outros instrumentos porventura mais característicos e de mais velha tradição local, por todo o Pais, e especialmente para o sul do Douro".

Seja qual for a sua cronologia, a popularização da guitarra coincide certamente, em Lisboa, com a sua adaptação ao fado, que se define como um sincretismo de correntes várias, também em época não recuada , mas que já era conhecido e cantado antes disso, e que, com o seu tom menor, obrigou a uma modificação fundamental da primitiva afinação em dó maior que não dá para ele; surge assim, além daquela (e ainda outra a que chamam «afinação natural com quarta» ou «sol natural», ou «da Mouraria» - sol - mi - do - sol - fa - do (do agudo para o grave), a afinação do fado corrido, si - lá - mi - si - la - re ou sol - fa - do - sol - fa - si bemol (as três últimas em uníssono , as três últimas duplas em oitava, (do agudo para o grave), e que outros autores indicarn a partir do la natural, ou «à altura que se deseje», e intervalos correspondentes para as demais cordas. De facto, a guitarra está unida ao fado apenas pela afinação especial que teve de adoptar para o acompanhar, e que de certo modo desnaturou a primitiva estrutura sonora do instrumento. Nos primeiros tempos, os próprios «fadistas» não tinham consciência da necessidade dessa ligação, e parece que, quando se divulgou o bandolim, a trocaram por ele. Mas com o aparecimento, em meados do século XIX, das grandes figuras do fado - a Severa, o Conde de Vimioso, o Hilário , etc. - , que coincidem com essa fase da sua associação á guitarra, cria-se o mito da guitarra e do fado, que ascendem aos níveis aristocráticos e literários, tomam corpo as suas feições ulteriores, define-se o tipo romanesco do fadista, plebeu ou fidalgo, e elabora-se mesmo um conceito temperamental nacional a partir dessas formas, ao mesmo tempo que se enriquecem extraordinariamente todos os aspectos musicais do fado.

A guitarra é pois, entre nós, o principal - e quase único - instrumento popular de expressão qualificadamente lírica, com total exclusão de figurações cerimoniais.

A guitarra e o fado, que gozara de um favor crescente por todo o Pais, constituem também uma das causas do desaparecimento das velhas formas da tradição regional. Por toda a parte vemos a guitarra destronar os instrumentos locais, e o fado, por muito que, com o seu carácter acentuadamente urbano, seja falho de sentido e deslocado no cenário rural do Pais, é preferido pelas gentes daí, em prejuízo dos seus velhos cantares. Violas trocam-se ou adaptam-se a guitarras, conservando a forma geral da caixa, mas substituindo-lhe o cravelhal por uma chapa de leque e aplicando-lhe seis ordens de cordas duplas. E vemo-la fazer a sua aparição mesmo nas áreas do pandeiro, do adufe, da gaita-de-foles e da flauta pastoril, de Trás-os-Montes ao Alentejo, onde a ambição de todos é acabar por arranjar uma guitarra, para nela poderem cantar, em tom menor, os seus improvisos românticos ou patrióticos.

Guitarra Clássica




A guitarra teve a sua origem, provavelmente, no Egipto acerca de 3000 anos atrás. Pensa-se que é um instrumento proveniente dos antigos Alaúdes e das Vihuelas. A guitarra espalhou -se rapidamente por vários países da Europa, mas foi na Espanha, em Andaluzia, que a guitarra atingiu grande popularidade e foi aqui também que se desenvolveu a arte de construir guitarras.
A guitarra ao longo dos tempos foi sofrendo várias alterações ao nível da forma e design. Foi António Torres Jurado o mais célebre Luthier de sempre, que se destacou com as suas inovações na arte de construir guitarras, e que mais tarde deu origem à Escola Espanhola de Luthiers por meados do fim do século XIX.

A guitarra torna-se, no século XX, um dos mais populares instrumentos musicais, sendo utilizada nos mais variados géneros musicais.
A guitarra, conhecida como viola ou violão na linguagem comum, é um cordofone de corda dedilhada. Possui um corpo largo e uma caixa de ressonância em forma de oito e no tampo encontra-se um orifício circular chamado a boca. A guitarra clássica tem seis cordas com a afinação Mi 1, Lá 1, Ré 2, Sol 2, Sí 2 e Mi 3, sendo o comprimento de corda mais usado de 65 cm. As cordas estendem-se ao longo da escala e do corpo e encontram-se "atadas" directamente na ponte.

As três cordas mais graves são feitas de nylon com fieira de cobre, as três mais agudas são feitas de nylon. Ao longo do braço estende-se a escala, esta encontra-se dividida por trastos metálicos que delimitam intervalos de meio-tom temperado.

A extensão da guitarra vai de Mi 1 a Si 4 e, na partitura, a música para guitarra é escrita uma oitava acima do som real do instrumento, o que permite o uso da clave de sol.

Fonte: http://guitarraclassica.no.sapo.pt

Deixo-vos Paco de Lucia, um dos grandes executantes deste extraordinário instrumento.


Paco de Lucia - Entre dos aguas (1976) full video

Como avaliar uma obra de arte


Composição com Vermelho, Amarelo e Azul, de Piet Mondrian (1872-1944)

Temos falado aqui um pouco sobre obras de arte, em concreto sobre pintura. Não sei se têm curiosidade sobre o assunto? Eu sempre tive! Porque é que um quadro chega a custar valores tão elevados? Como se pode definir o valor de uma obra? Sobre o assunto deixo-vos algumas orientações.

Todavia, citando Aires Almeida em "crítica na rede" não esqueçam que alguns filósofos da arte, como Morris Weitz, abandonaram simplesmente a ideia de que a arte pode ser definida; outros, como George Dickie, apresentaram definições não essencialistas da arte, apelando, nesse sentido, para aspectos extrínsecos à própria obra de arte; outros ainda, como Nelson Goodman, concluíram que a pergunta «O que é arte?» deveria ser substituída pela pergunta mais adequada «Quando há arte?

Kant e Schopenhauer, por exemplo, defendiam que a beleza torna-se a qualidade pela qual um objecto nos agrada independentemente da sua utilidade, despertando em nós a contemplação e uma desinteressada felicidade.

Na senda de Espinosa, Will Durant refere que antes de mais uma coisa é bela porque é desejada. Não desejamos uma coisa porque ela é boa; ela é boa porque a desejamos; assim, não desejamos uma coisa porque é bela; essa coisa é bela porque a desejamos.

Apesar de muito se ter escrito sobre o belo e a estética, desde a Grécia antiga até hoje, não parece haver um consenso sobre estes temas. Parece que acima de tudo devemos ter em conta o facto de desejarmos algo conjugado com as leis da oferta e da procura.

Deixo-vos alguns critérios fundamentais, segundo a Bolsa de Arte, Rio de Janeiro, Brasil:

Avaliar uma obra de arte é uma tarefa complexa que exige conhecimentos técnicos e experiência.

Para tanto, é necessário considerar diversos factores.

O mais importante é a lei básica do mercado: de oferta e procura.

Visando uma melhor orientação aos colecionadores, principalmente os novos, indicamos as principais regras a serem consideradas por ocasião da aquisição ou venda de uma obra de arte:

1 - O Autor
Os artistas atingem cotações diversas, mesmo sendo contemporâneos e com biografias assemelhadas.

2 - Técnica
A valorização de uma obra obedece a seguinte escala:
1º. óleo e/ou acrílica sobre tela e/ou madeira e cartão;
2º. guache ou têmpera sobre cartão ou papel;
3º. aquarela, pastel, lápis de cor e ecoline sobre papel;
4º. desenhos a nanquim, carvão, sangüínea, sépia e lápis;
5º. gravuras (litografia, xilogravura, gravura em metal, serigrafia);

3 - Fase
Somente com um olhar retrospectivo é que se consegue determinar quais as fases mais valorizadas de um artista e que configuram o auge de sua criatividade. Não obedecem necessariamente uma ordem cronológica.

4 - Dimensão
O tamanho influi no valor de uma obra de arte.

5 - Conservação
O bom estado de conservação é um fator que contribui para a sua maior valorização.

6 - Tema
Cada artista possui alguns temas que o consagram. É o que o mercado define como tipicidade.

7 - Origem
A procedência conta no valor final de uma obra de arte.

8 - Valor histórico
A participação de uma determinada obra em algum movimento artístico ou exposições.

9 - Bibliografia
Obras citadas ou reproduzidas em livros e/ou catálogos.

10 - Modismo
Existem épocas onde alguns temas e artistas são mais procurados pelo mercado.

11 - Assinatura
A falta de assinatura poderá diminuir o valor de uma obra de arte.

Obs:
O material usado nas esculturas, as dimensões e tiragens devem ser observados
como fatores principais para avaliação.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Zé Preto - Singela homenagem



José Augusto de Andrade Júnior, aliás Zé Preto, cultivou entre outros géneros literários, a poesia tendo vindo a revelar-se, no seu curto período de criação literária, um talento promissor, quer como dramaturgo quer como novelista.

As suas obras, dispersas ao longo de décadas por manuscritos e páginas de jornal, estão agora reunidas e organizadas num único volume.

Tratam-se de textos de rara beleza, que não só reflectem, de um modo impressivo, a identidade marítima dos sesimbrenses, como constituem, igualmente, um importante retrato de Sesimbra da primeira metade do século XX, que viveu o ciclone de 1941 e atravessou os anos sombrios da II Guerra Mundial.

Fonte: CMS
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Nota biográfica

No dia 18 de Janeiro de 1920, nasce, em Setúbal, o poeta José Augusto de Andrade Júnior (Zé Preto).

Ainda muito pequeno, veio para Sesimbra, ficando aqui a residir, com a avó paterna.

"Uma saúde frágil, determinada por uma insuficiência congénita na aorta, e a necessidade de assegurar a subsistência da família - Zé Preto era aferidor de pesos e medidas na Câmara Municipal de Sesimbra - não terão permitido que os seus dotes de poeta, dramaturgo e pintor atingissem, nos seus curtos 28 anos de vida que lhe couberam, a plenitude que o seu talento prometia".

Faleceu, no dia 1 de Maio de 1948, tendo sido sepultado no cemitério da Ajuda.

Só em 1922, os seus restos mortais foram trasladados para Sesimbra, terra que adoptou, muito amou e soube cantar.

Os seus trabalhos foram reunidos no livro "Mar Nosso", editado pela Câmara Municipal de Sesimbra, em 1996.

Fonte: http://expresso.sesimbra.pt

Grupo Desportivo e Cultural do Conde 2



O GDCC 2, situa-se relativamente perto da zona comercial da quinta do Conde (Modelo, Lidl)mais propriamente na Av. 1º de Maio, lote 3254.

Destaco a sua actividade cultural no Campo musical.

Possuem um grupo musical "ECOS" fundado em 5 de Outubro de 2000.



O grupo ECOS realiza os seus ensaios às 4ªs. a partir das 21h00m.



Mais recentemente, o Grupo Desportivo e Cultural do Conde 2, no caminho que tem vindo a percorrer no desenvolvimento da prática da cultura, apostou numa nova iniciativa, a Banda Filarmónica.



A Banda efectua os seus ensaios às 5ªs. a partir das 21h30m.



Grupo Desportivo e Cultural do Conde 2
Av. 1º de Maio, Lote 3254, 2975-309 Quinta do Conde
Tel. 210 873 306
Fax. 210 873 307
Mail: gdcc2@iol.pt

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Matrix - O filme

GOSTAVA DE "OUVIR" OUTRAS OPINIÕES!



Como sabem, existem vários tipos de filmes, ou melhor, vários géneros cinematográficos. Acção, aventura, comédia, etc.

E, entre os vários géneros existem os bons e os maus filmes.

Quanto ao maus filmes não vêm agora ao caso.

No que respeita aos bons filmes, em meu entender, existem ainda aqueles que, apesar duma boa fotografia, dum bom argumento e dum bom elenco de autores servem apenas para nos distrair. Ou seja, o seu objectivo principal não é passar uma mensagem ou efectuar uma crítica, por exemplo.

Pessoalmente estes últimos são os meus preferidos.

O filme que Vos trago hoje, apesar de já ter uns anitos é, em meu entender, um dos melhores filmes que alguma vez foram realizados.

Por vários aspectos, sendo o mais flagrante a novidade dos efeitos especiais mas, em especial pela mensagem.

Quando vi "Matrix" pela primeira vez, um ou dois anos depois do filme ter saido no cinema, fiquei embasbacado. Equacionei-me porque não tinha visto o filme antes? De facto a sua visualização é obrigatória.

Por vezes, em conversa com amigos, dizem-me que, quando lhes apresento a minha interpretação do filme, vejo coisas que onde não existem.

Pois, por mim, creio bem que eles é que olharam mas não viram!

Antes de mais, não nos podemos esquecer que se trata dum filme, com toda a espectacularidade que os mesmos exigem e, neste caso em especial, muito bem conseguido. Por fim, a mensagem é clara, Matrix é história de Jesus Cristo. Um Jesus Cristo do futuro, do século XXV ou XXX se quisermos mas, Matrix é isso mesmo.

Não sei qual foi a ideia dos irmãos Wachowski enquanto escritores e realizadores?

Nunca li que dissessem tratar-se do que afirmo mas, para mim, assim é!

A mensagem, transmitida de forma soberba, continua a ser a mesma. Paz, igualdade, irmandade, esperança num mundo melhor.

Neo (Keanu Reeves), o actor principal, é o verdadeiro Jesus Cristo, não lhe faltam "os poderes" sobrenaturais que levam aqueles que o seguem a acreditar que se trata do "escolhido", o homem santo, o próprio filho de Deus. Neo em grego significa novo, uma nova era, uma nova vida. Não é inocente, em meu entender,a morte do protagonista, de braços abertos, como que cruxificado, transportado pelas máquinas como Jesus para o Calvário.

Não lhe falta um São João Batista, encarnado pelo actor Laurence Fishburne, na personagem de Morpheu que, em grego significa "Deus dos sonhos". O sonho e a esperança na mudança e num mundo melhor. Não era o que São João Batista anunciava?

Tal como Cristo o recebe o batismo de São João Batista, Neo, recebe-o de Morpheu personificando neste como que uma aceitação pelos demais daquilo que era e do que representava.

Podemos considerar que os companheiros de Neo, seriam talvez uma espécie de discípulos, sendo Trinity (Carrie-Anne Moss) Maria Madalena, a amante e amada de Cristo, na perspectiva de Dan Brown no seu livro "O Código Da Vinci".

Nem Judas Iscariotes interpretado por Joe Pantoliano, na personagem de Cypher foi esquecido. Tal como Judas, Cypher ambicionava, com os 30 dinheiros, uma nova vida. Não podemos ainda esquecer que Cypher em inglês significa cifra em português. Secreto. Cifra é também o algoritmo que representa o zero. Se Cypher ou Judas têm conseguido os seus desígnios não teria havido mudança. Tudo ficaria na mesma (zero).

Mr. Smith, vestido de negro não levanta quaisquer dúvidas. Representa o lado negro da força (para fazer referência a outro grande filme de culto). Mr. Smith é o Diabo, o anjo negro que a todo o custo move as suas forças tentando anular a mudança que se adivinha.

Nem mesmo a mistura entre o pagão e o divino fica de fora. O oráculo, as dúvidas de Jesus em relação à sua missão.

Creio bem que, só vendo os três filme é possível chegar a estas conclusões. É preciso saber ler nas entrelinhas. É preciso ver, não basta olhar a tela!

Não sei se a intenção dos seus criadores foi exactamente esta, dado a diferença de tempo entre os filmes. Mas, mesmo que não tenha sido, o resultado e o caminho que seguiram, certamente a determinada altura já definido, foi extraordinário.

Matrix é talvez um dos melhores filmes do século XX.

domingo, 23 de agosto de 2009

O Teatro e Portugal ficaram mais pobres: Morais e Castro faleceu


O actor Morais e Castro, que em 2006 comemorou 50 anos de carreira, morreu ontem, em Lisboa, vítima de cancro. Depois da notoriedade nos palcos, tornou-se conhecido do público como professor na série televisiva "As lições do Tonecas".

José Armando Tavares de Morais e Castro nasceu em Lisboa a 30 de Setembro de 1939. Actor e encenador, Morais e Castro era também licenciado em Direito pela Universidade de Direito de Lisboa, tendo igualmente exercido a profissão de advogado. Foi também dirigente do Partido Comunista Português (PCP).

Morais e Castro, que era casado com a actriz Linda Silva, estreou-se no palco com o Grupo Cénico do Centro 25 da Mocidade Portuguesa quando ainda era estudante do liceu.

A sua estreia a nível profissional ocorreu no Teatro do Gerifalto, dirigido por António Manuel Couto Viana, com a peça "A Ilha do Tesouro".

Em 1958 estreou-se na televisão intrepretando "O rei veado", de Carlo Gozzi, realizado por Artur Ramos. No Teatro do Gerifalto integrou várias peças como "O fidalgo aprendiz", de Francisco Manuel de Melo, ou "Os velhos não devem namorar", de Afonso Castellau.

Em 1960, interpretou juntamente com Laura Alves a peça "Margarida da Rua" e um ano depois estreou-se na encenação, dirigindo "O borrão", de Augusto Sobral, no grupo Cénico de Direito, que no mesmo ano foi premiado no Festival de Teatro de Lyon.

Em 1962 integra o elenco do filme "Pássaros de asas cortadas", de Artur Ramos, tendo integrado entre 1961 e 1965 o teatro Moderno de Lisboa.

Nessa companhia integrou o elenco de várias peças entre as quais "O tinteiro", de Carlos Muñiz, e "Humilhados e Ofendidos", de Dostoievski, onde obteve grande sucesso. Durante a existência do Teatro Moderno de Lisboa, uma companhia fundada sem subsídios e perseguida pela PIDE, contracenou com actores como Carmen Dolores, Armando Cortez, Fernando Gusmão, Armando Caldas, Glicínia Quartin, Paulo Renato, entre outros.

Em 1968, com Irene Cruz, João Lourenço e Rui Mendes, fundou o Grupo 4, no Teatro Aberto, onde representou vários autores como Peter Weiss, Brecht, Peter Handke e Boris Vian.

Em 1985 integra o elenco da comédia "Pouco Barulho", com Nicolau Breyner, passando depois pela Companhia Teatral do Chiado. Aí, ao lado de Mário Viegas, integrou o elenco de "À espera de Godot", de Samuel Beckett.

Em 2004, dirigido por Joaquim Benite, interpretou "O fazedor de teatro", de Thomas Bernard, com a Companhia de Almada.

Participou ainda nas décadas de 1980 e 1990 em novelas e séries portuguesas de televisão.Entre 1996 e 1998 popularizou-se ainda na interpretação do professor em "As lições do Tonecas".



O corpo do actor está em câmara ardente no Palácio Galveias, no Campo Pequeno, em Lisboa. O funeral sairá hoje, às 15.30 horas, para o cemitério do Alto de S. João.

Fonte: JN

sábado, 22 de agosto de 2009

G.R.E.S Trepa no Coqueiro


G.R.E.S Trepa no Coqueiro
Uma história de Sucesso

O G.R.E.S Trepa no Coqueiro foi fundado a 2 de Maio de 1978 por António Paixão, o principal elemento dos Fundadores: Isabel Luz, Rosa Andrade, Fernanda Picão, Fernanda do Carmo, Manuela, Angelina Aguiar, Helena Homem, Eduardo Cunha, Jacinto Jorge, José Carlos Freitas, Victor Leonel, Fernando Sabino.

Fonte: Trepa no Coqueiro

Carlos Sargedas, revisitado

Solicitei ao Carlos Sargedas que tivesse a amabilidade de me enviar uma autobiografia da sua actividade profissional. Não aquilo que toda a gente pode ver no site dele mas, algo diferente, escrito pelo seu próprio punho.

Gentilmente, enviou-me o que passo a disponibilizar:

"Sempre que me pedem para enviar fotos para mostrar o meu trabalho ou para falar sobre mim, tenho sempre o mesmo problema: o que é que envio, o que é que digo?

Como deves ter reparado, o meu trabalho é bastante variado, nunca quis estar "preso" a um tipo de trabalho, primeiro, porque isso limitava a minha capacidade de resposta; segundo, porque também não me satisfazia fazer sempre a mesma coisa e;
em terceiro, principalmente, porque também nos últimos anos, com a chegada da tecnologia digital, passou a ser "mais fácil???" ao cliente e ao público em geral
ter acesso às mesmas ferramentas informáticas, logo, o volume de trabalho começou a baixar e para muitos praticamente acabou.

Ao perceber isso, não só me adaptei e modernizei constantemente, actualmente fui o único fotógrafo a nível nacional a comprar a última tecnologia de impressão para uma loja, porque fui à procura de novos mercados e felizmente porque não fiquei parado no tempo, tenho neste momento vários tipos de trabalho, bastante variados, onde em todos eles a técnica é exigente e a concorrência bastante forte.

Não deixa de ter alguma piada quando alguns clientes me contactam e ficam de certa forma confusos, ao ver que ao mesmo tempo estou a fazer trabalhos fotográficos em construção civil, actualmente estou a acompanhar 8 escolas em Évora, Lisboa, Mafra, Queluz e Portalegre; também a fotografar um catálogo de publicidade de moda que acabei recentemente após um ano de trabalho.

Trabalhei num livro para o chefe Luís Suspiro onde fotografei cerca de 60 pratos e a gastronomia regional do Algarve, Ribatejo, Alentejo e Sesimbra, tendo já começado a fotografar para mais dois livros a sair no próximo ano. Fiz também um catálogo de 150 coktails para um bar da zona de Sintra, com muito trabalho técnico e de difícil execução. Estou a fazer reportagem de fotografia industrial na construção de duas auto-estradas e estradas nacionais, além de principalmente desenvolver o meu trabalho de fotografia aérea ao nível do turismo.

Também pela qualidade do meu trabalho, fui recentemente convidado para ser o fotógrafo da maior empresa de helicópteros do país para fazer todo o trabalho fotográfico e, estive recentemente a fotografar 58 locais de Portugal.

Está também no meu "programa" ainda este ano, começar a organizar workshops de formação em várias áreas da fotografia.

Estou também há 8 meses a desenvolver um grande projecto sobre os 600 anos do Cabo Espichel, onde já estão previstos, cerca de 50 exposições de pintura, fotografia e escultura, conferências e palestras sobre os mais variados temas, tudo com o objectivo de chamar a atenção para o abandono e principalmente criar um projecto de requalificação do lugar para candidatura à UNESCO para Património da Humanidade.

Paralelamente a isto tudo ainda tenho tempo para desenvolver, devagarinho, a minha empresa de turismo aéreo dos helicópteros e produzir aqueles que já foram considerados os melhores filmes promocionais privados de locais como Alqueva, Sintra, Arrábida e Lisboa, já com referências em sites de muitos países do Mundo.

Por estas razões todas, digo no meu blog que a Vida é tudo o que fazemos com ela e por isso sou uma pessoa feliz.

Tenho ainda a sorte de estar casado à 26 anos com uma mulher espectacular que está sempre ao meu lado quanto mais estando 24 horas juntos durante todos estes anos.

Um forte abraço

Carlos"

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Desde já, aqui deixo um grande abraço ao Carlos, por esta espécie de entrevista online e em primeira mão. Este singelo espaço agradece o apoio!

Parabéns por uma vida cheia de alegrias não sem muito esforço, trabalho e dedicação.

O Carlos enviou-nos também algumas fotografias para escolhermos e publicarmos as que entendermos.

Deixo aqui as mais significativas porque sei que têm um especial valor para ele.

Foto da capa do seu livro "Vertigem Azul"



Foto do reconhecimento pelo seu trabalho pela Região de Turismo da Costa Azul.



Porém, pela sua excelência, não resisto a divulgá-las todas. Pode encontrá-las clicando aqui:

Bota no Rego é a Escola de Samba mais antiga de Portugal



O G.R.E.S. Bota no Rego é a Escola de Samba mais antiga de Portugal, orgulha-se dessa honra, luta pela criatividade e originalidade dentro da escola, incentivando essa veia cultural, do músico e do artista que uma associação se deve reger, desde as suas fantasias, enredos e sambas enredos originais, desde o trabalha diário em prol do Samba e do Carnaval em Sesimbra, em Portugal e no Mundo.

Fonte: Bota no Rego

Anime



A Anime é um projecto que tem como objectivo a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos promovendo o Associativismo, entendendo este como uma forma de congregação de esforços para atingir um dado fim

Fonte: Anime e PIPA

UNIÃO DESPORTIVA E RECREATIVA DA QUINTA DO CONDE



UNIÃO DESPORTIVA E RECREATIVA DA QUINTA DO CONDE

A União Desportiva e Recreativa da Quinta do Conde nasceu no dia 10 de Julho de 1985, da fusão de duas das mais antigas e prestigiadas colectividades da Quinta do Conde: Associação Condense Futebol Clube e Leonenses Futebol Clube.

Fonte: UDRQC

O Grupo Etnográfico de Danças e Cantares da Região de Sesimbra



RESUMO HISTÓRICO

O Grupo Etnográfico de Danças e Cantares da Região de Sesimbra, foi fundado em Outubro de 1986 e está sedeado na Freguesia de Quinta do Conde concelho de Sesimbra.Dedicamo-nos à recolha e divulgação cultural e etnográfica dos usos e costumes dos nossos antepassados e, com a nossa exibição em público, em vários festivais de folclore, festas e romarias, através das quais pretendemos divulgar as tradições da região a que pertencemos, (Concelho de Sesimbra).Sesimbra é uma terra de grandes tradições piscatórias e gastronómicas. O seu porto ainda hoje mantém as cores vivas das suas traineiras. Pode facilmente encontrar na sua lota peixe fresquissimo e de várias espécies, sendo de destacar o peixe espada, o espadarte, a pescada, o carapau e a sardinha para além de outros.Em gastronomia, é de destacar a caldeirada, a açorda de marisco, o arroz de polvo, o bife de espadarte e a tradicional sardinha assada. Para além da pesca outros produtos há também muito apreciados tais como o queijo de Calhariz, que ainda hoje se faz manualmente nesta pequena aldeia do concelho.

Os nossos trajes e danças, datam dos finais do Século XIX e início do Século XX. Nos trajes, podemos destacar o Domingueiro, os Noivos, o Pescador, o Camponês, etc. etc..Nas danças temos o Vira de Sesimbra, o Fadinho do Pescador, Florinda, PolKeado, Valsa Maria, Trinca Espinhas e muitas outras.

O Nosso Contacto:

Grupo Etnográfico de Danças e Cantares da Região de Sesimbra
Rua Gama Pinto, Lote 185 e 186, 2975 - 274 Quinta do Conde
Almerindo Rosa: 962 347 789
Zeferino Dias: 938 655 271
Mail: etnograficosesimbra@hotmail.com
HI5: etnograficosesimbra.hi5.com

Fonte: GEDCRS

O Grupo Coral de Sesimbra

O Grupo Coral de Sesimbra foi criado em Março de 1988 por iniciativa da Junta de Freguesia de Santiago, tendo a cedência de instalações ficado a cargo da Sociedade Musical Sesimbrense, onde se realizou o primeiro ensaio.

Resultado da orientação pedagógica dos regentes Luísa Cagica e do maestro e compositor Carlos Silva, o grupo dedica-se à difusão de um repertório diversificado que abrange a maioria dos estilos de música coral.

Fonte: CMS
(Agradeço a quem enviar fotos ou vídeos do grupo)

Espaço das Aguncheiras: A voz do teatro




Há trinta e um anos São José Lapa partiu com a filha Inês Lapa Lopes para Viseu, numa cruzada pela cultura, que ficou para a História como a Descentralização Teatral. De volta ao presente as mesmas protagonistas fundam a Deculta, Desenvolvimento Cultural das Aguncheiras embrião do Espaço das Aguncheiras. Local paradisíaco, perto do Cabo Espichel. Finisterra territorial onde a terra acaba, o mar começa e a imaginação não tem limites. Durante 17 anos São José Lapa, foi actriz residente do Teatro Nacional D. Maria II, onde cimentou a sua carreira de actriz e encenadora.

O espaço das Aguncheiras conta já com vários anos de intervenção cultural na Azóia (Sesimbra), que culminou com a representação no ano 2006 do espectáculo “Sonho de 1 Noite de Verão”, que constitui um êxito junto do público, contando com a presença de mais de mil e quinhentas pessoas em seis representações. Feito o balanço destas actividades, um grupo de entusiastas liderado por São José Lapa, resolveu, constituir uma cooperativa cujo objecto social da sua actividade é a criatividade, a difusão, a informação, a dinamização e a animação cultural.

Para além da mentora e promotora do projecto, São José Lapa (Escola Superior de Teatro) esta associação conta também no seu núcleo fundador com Inês Lapa Lopes (Escola Superior de Belas Artes e Conservatório Nacional de Música), Escultora, Cenógrafa, Actriz e Música; João Paiva (Faculdade de Letras de Lisboa), Historiador, Professor e Técnico Superior da CIG e Actor; Isabel Martins (Escola Superior de Educação), Educadora de Infância e Actriz; e Rui Pedro (Escola Superior de Teatro), Encenador e Actor.

O Espaço das Aguncheiras é um espaço de trabalho vocacionado para o acolhimento de artistas jovens em acções de formação ou criação/produção, baseado nos princípios da experimentação e da transmissão de conhecimento.

Esta propriedade é constituída por parcelas de morfologia diversificadas, incluindo pinhal, pomar e áreas incaracterísticas. Era uma antiga exploração agrícola de pequena dimensão.
A intervenção proposta aplica uma lógica contemporânea, pautada pelos valores do respeito, da preservação e da comunicação à realidade do terreno. Os seus princípios são os de preservar e recuperar o que for possível, e de fazer (r)existir o que for necessário.

Fonte: Espaço das Aguncheiras por João.
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Bombeiros Voluntários de Sesimbra

Embora a acção dos bombeiros não se enquadre exactamente no espírito deste espaço, não podemos deixar de, por tudo o que representam, prestar aqui a nossa singela homenagem com este artigo que encontrámos, relativo ao livro de António Reis Marques sobre o centésimo aniversário da corporação.



Bombeiros Voluntários de Sesimbra em livro comemorativo do centésimo aniversário

“Bombeiros Voluntários de Sesimbra: origem, formação e percurso (1903-2003)”, escrito por António Reis Marques, é o livro que pretende homenagear o centésimo aniversário da Associação dos Bombeiros Voluntários de Sesimbra (ABVS) e que foi apresentado esta terça feira, dia 12, no salão de festas do quartel dos bombeiros da vila. Na ocasião, Amadeu Penim, presidente da câmara de Sesimbra, inaugurou o monumento ao Bombeiro, da autoria de João Duarte, que evoca “a coragem, o altruísmo e a paz” e representa a homenagem da edilidade por “cem anos de gratidão”.

A 12 de Agosto de 1903, “sob a alta presidência de honra de Sua Majestade o Rei D. Carlos I“ era inaugurada a Associação dos Bombeiros Voluntários de Sesimbra que tinha por fim “socorrer os habitantes da vila em caso de “incêndio, desastres ou calamidades a que possam ser “aplicáveis os elementos de socorro de que dispuser e sempre em harmonia com o seus estatutos”. Assim conta Reis Marques na página 45 da obra, que escreveu em três meses. Um trabalho que o autor considerou “difícil” devido à escassez de documentos históricos sobre a ABVS.

Rei Marques disse ao “ Setúbal na Rede” que lamenta que se destruam os arquivos históricos, “não só em Sesimbra, como em todo o país”. O autor refere que teve que “andar à procura dos documentos fundamentais” que fizessem a história dos Bombeiros Voluntários de Sesimbra e, embora tenha conseguido esta tarefa de pesquisa deu-lhe “muito trabalho”.

A obra de 116 páginas, integrada na colecção Livros de Sesimbra, é uma monografia que dá a conhecer ao leitor as figuras de proa e os momentos mais marcantes do historial da ABVS. Segundo Amadeu Penim referiu durante a apresentação do livro esta obra representa uma “reconstituição minuciosa e histórica” da ABSV e é “um espaço privilegiado de investigação sobre a história local da vila”.

Bombeiro há vinte anos na ABVS o que move João Fragoso quando combate as chamas e sai em socorro é o facto de puder “ajudar o próximo”. O bombeiro diz que tem passado por muitas situações difíceis e recorda a mais recente ao “ Setúbal na Rede” quando, há poucos dias, ele e os colegas ficaram cercados pelas chamas no incêndio do concelho de Nisa. “Tivemos que atravessar por dentro das chamas para sair dali”, conta.

Mas nem só de bombeiros é feito um quartel. “Eu sou funcionária mas para além disso também ajudo nas chamadas de piquete, na organização de festas e no apoio ao bar, por exemplo”, contou ao “Setúbal na Rede” Maria José Pinto, 40 anos, os três últimos ligados à ABVS.

João Lopes, autor do prefácio, presta homenagem aos soldados da paz e refere que para a generalidade das pessoas o Bombeiro é sinónimo de “segurança e solidariedade”. Para João Lopes os bombeiros são solidários com que necessita de auxílio e quando toca a sirene ninguém fica indiferente” No prelúdio pode ler-se que “apesar de vivermos num tempo marcado pelo individualismo felizmente subsistem ilhas de solidariedade desinteressada”.

Fonte: Setúbal na rede, por Elsa Ribeiro Gonçalves - 14-08-2003 11:37

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Artur Vaz

Artur Vaz, um cidadão comprometido com a causa pública. Um exemplo de vida. Um exemplo a seguir.



Fonte: Revista "Sesimbra Município.
(Agradeço a quem me possa fornecer elementos sobre a ECOS'DART).

Carlos Sargedas, O Fotógrafo


Conheço o Carlos Sargedas à mais de 20 anos. É com especial interesse que tenho seguido o seu "crescimento" profissional nos últimos tempos. À muito que o Carlos deixou de ser mais um fotógrafo para ser "O fotógrafo". Conseguiu ultrapassar a fasquia que o catapultou da simples fotografia para a fotografia artística. O fotógrafo deu lugar ao poeta das imagens.

Aprecio a generalidade do seu trabalho mas, em minha opinião, é na fotografia paisagística que o Carlos se notabiliza.

Deixo-vos algumas fotos dos seu trabalho:










Fonte: www.carlossargedas.com
(as fotos foram autorizadas pelo Carlos. Brevemente, com a especial colaboração do Carlos, espero poder divulgar mais algumas fotos, bem como, a "biografia" do seu percurso profissional).

Espaço Zambujal





O Espaço Zambujal, na Freguesia do Castelo, já dispõe, dum espaço de acesso público à internet, com dois postos de trabalho.

Desta forma, qualquer cidadão que queira utilizar este serviço só terá de se deslocar ao Espaço Zambujal, entre as 10h00 e 12h30, e entre as 14h00 e as 18h30, de terça a sábado.

De salientar que toda a sala de leitura está coberta por uma rede wireless (wi-fi), o que permite a qualquer utilizador possa usufruir da internet através do seu próprio computador portátil.

ESPAÇO ZAMBUJAL

JUNTA DE FREGUESIA DO CASTELO
Zambujal Sesimbra
espaco.zambujal@jf-castelo.pt
962417327

Horário:
10h às 18.30h
De Terça-feira à Sábado

Fonte: EZ

Associação para o desenvolvimento da Quinta do Conde



História da A.D.Q.C.

Todas as instituições têm no seu passado, um conjunto de acontecimentos que conduziram à criação de uma Colectividade ao serviço daqueles que constituem a comunidade onde se insere. A A.D.Q.C. não é excepção e foi a partir de um conceito com um propósito diferente que se acabou por fundar uma Colectividade em que o número de praticantes tem aumentado de ano para ano, bem como a interacção com a comunidade.

Fonte: ADQC

ACDC - Associação Cultural e Desportiva da Cotovia



Fundado em 1990, o clube, para além do Futsal, dedica-se também ao atletismo, Judo, Karaté, Ginástica entre outros.
Neste momento conta com cerca de 1200 sócios, sendo um dos maiores do concelho de Sesimbra.
Em termos de infra-estruturas próprias, a ACD Cotovia conta no seu edificio com a secretaria, o bar e o Salão onde se pratica diversas modalidades. O futsal e o atletismo treinam em recintos da propriedade da C.M.Sesimbra e Agrupamentos de Escolas.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Exposições de pintura: visitei, vi e gostei

Visitei as exposições de pintura na fortaleza, na biblioteca e no espaço cultural da junta de freguesia.

Gostei em particular das exposições de André Semblano e Marina Fátima. A ordem pela qual elaboro a minha crítica não representa nada. Gostei de ambos em pé de igualdade, embora tendo cada um o seu estilo. Cada um deles transmitem-me sentimentos diferentes.

Se tivesse que os classificar diria que o André é um pintor da vida moderna. Na senda do que preconizava Charles Baudelaire. Aproximaram-se desta visão, Manet, Degas e Velasquez, tão bem homenageado por Marina.

André, é o poeta do buliço. É o poeta do murmúrio, do movimento e da inquietação. A sua pintura faz-me lembrar Álvaro de Campos (Fernando Pessoa),“Ah não ser eu toda a gente e toda a parte!” em Ode Triunfal. As suas telas transmitem o que não se vê! A faina o mar e o descanso duma vida de labuta, retratadas nos barcos, a vida da cidade, o burburinho do dia-a-dia em movimentos perpétuos da vida.





Não sei como é que o André se classifica mas eu vejo uma mistura de realismo e pós-impressionismo nas suas obras, em concreto nas aguarelas. Já no caso dos acrílicos, até nos barcos, revejo um "figurativo arquitectónico", cujo expoente máximo em Portugal foi Molina.



A Marina é a pintora da côr. Exalta a côr com grande mestria. As figuras podiam não estar lá. Não faziam nem fazem lá falta. A mensagem é-nos transmitida pela côr e pela forma com as dispõe. Percebo nas cores fortes e expressivas a côr da savana africana. do deserto do Saara e da floresta do Congo.



Tenho mais dificuldade em classificar a Marina quanto ao movimento artístico. Parece beber em fontes diversas tais como o realismo, o pós-impressionismo, cubismo e a abstracção.



Os pintores também são poetas. São poetas da côr e dos sentidos da alma. Algumas da telas da Marina, não são pintura, são poesia.



Artigo de Opinião!