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terça-feira, 14 de dezembro de 2010

A voz do futuro


Texto aos senhores deputados

No dia 9 de Dezembro, seis turmas da Escola Secundária de Sampaio foram à Assembleia da República, no âmbito da disciplina de Filosofia, para poderem observar, ouvir e aprender algo sobre o discurso político e o discurso argumentativo. No entanto pouco ou nada aprenderam de educativo.

Senhores deputados, digam-me o que pensariam se fossem a uma escola, a uma sala de aula, e vissem o professor a falar e os alunos a conversar uns com os outros, a passear pela sala, a entrar e a sair sem ligar nenhuma ao professor? Que diriam os senhores deputados se falassem com um jovem e este lhes voltasse as costas e fosse falar com outra pessoa? Provavelmente exaltar-se-iam com tamanho desrespeito! Diriam: “Os seus pais não lhe deram educação em casa? Que falta de respeito!”. Pois eu digo-vos, senhores deputados, que isto é exactamente o que Vossas Excelências fazem naquela sala onde se reúnem para tratar de assuntos políticos. Um deputado está a falar e todos os outros ou estão na conversa com o vizinho do lado, ou a passear pela sala, ou a entrar e a sair, sem prestarem a mínima atenção ao discurso que o outro deputado está a fazer. Mas que respeito é este? Que exemplo é este? Na escola, sempre me ensinaram que, quando um fala, os outros estão calados a ouvir. Os senhores deputados não receberam essa mesma educação? Se sim, porquê aquele desrespeito naquela sala? É esse o exemplo que querem dar aos jovens portugueses? É esse o exemplo que querem transmitir ao futuro do país?

Já agora, senhores deputados portugueses, porque pagam os meus pais impostos? Para que os senhores deputados tenham computadores e telemóveis da última geração, nos quais podem navegar na Internet e ir a sites como o facebook ou o youtube? Porque podem os senhores deputados entrar naquela sala, usar o telemóvel e falar à vontade, se me mandam a mim, uma simples miúda de 16 anos, deixar tudo à porta, incluindo telemóvel, e me mandam fazer silêncio? Porque não posso eu manifestar o meu agrado ou desagrado com umas simples palmas? Sou menos importante que os senhores deputados?

Este país vai de mal para pior! E lamento que a maioria dos portugueses saiba falar e saiba criticar mas não saiba ter a menor coragem para agir. Como pode o país avançar assim? Digam-me, senhores deputados, como podem os jovens de hoje vir a ser adultos responsáveis e honestos com tanta hipocrisia a encher-lhes os ouvidos? Mais do que estar aí de pé e falar é preciso agir, senhores deputados, e não é amanhã, é hoje! Mas eu sou apenas uma “criança” e aquilo que eu digo nada tem de relevante.

Termino dando uma simples sugestão: se os jovens são o futuro do país, porque não lhes pedem uma opinião acerca de assuntos políticos? Se um dia seremos nós que iremos estar sentados nessas mesmas cadeiras, porque não se dão ao trabalho de falar connosco e saber qual a nossa opinião? Digo-lhes, senhores deputados, que, se o fizessem, ir-se-iam surpreender muito. Hoje em dia, existem jovens com muita maturidade e com um dom para a palavra que os senhores deputados nem acreditam. Peço-lhes, senhores deputados, que não falem sem saberem do que estão a falar. Nós não trabalhamos para continuar o trabalho que os nossos antepassados fizeram, nós trabalhamos para que as gerações futuras tenham melhores condições do que as nossas, para que tenham um futuro melhor que o nosso. Nós não trabalhamos no presente em continuação de um passado, mas sim para um futuro que um dia será presente.

Texto escrito por Soraia Pólvora, 11º C.

Fonte: http://jornaless.wordpress.com/

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