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quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Curiosidades: Castelo de Sesimbra

Ao visitar a "Art Spaces" no Castelo, constatei que já estão a decorrer os preparativos para mais uma "Zimbramel" a realizar nos dias 20, 21 e 22 de Agosto.

Não pude deixar de reparar neste cartaz (ver fotos) comemorativo dos 100 anos do Castelo de Sesimbra como monumento nacional!




O Texto abaixo foi retirado do Jornal "O Sesimbrense":

Castelo de Sesimbra Cem Anos de Monumento Nacional
Edifício milenar de remota origem medieval e marco central da História do concelho, o Castelo é a mais expressiva locução da identidade histórica da comunidade local, pois no seu âmago, conjuga o seu tradicional papel de legado com um potencial de desenvolvimento sustentável.
Em inícios do século XX o conjunto muralhado apresentava-se no mais profundo degredo, porém, o seu valor histórico sustentou a classificação, no ocaso da Monarquia, como Monumento Nacional, em decreto de 16 de Junho de 1910. Cem anos volvidos, mais que discorrer sobre o sítio e explorar a sua história, há que o viver como uma memória comum e assim, promover a sua plena fruição.
Sujeito a fases de abandono, como na década de 1920 com os resquícios da vida quotidiana dos seus últimos residentes em que Raul Brandão o reconheceu, no alto do monte, “em ruínas como um queixal cariado”; ou na transição das décadas de 1970-1980 quando as prioridades do concelho valorizavam o apoio de infra-estruturas básicas para as comunidades rurais. Também conheceu períodos de benfeitoria, como as campanhas de restauro empreendidas na déca-da de 1930 e a sua inclusão nas comemorações do Duplo Centenário, entre 1939 e 1940; ou com a mais recente intenção de revitalização do sitio, que conduziu à elaboração do “Projecto de Reabilitação do Castelo de Sesimbra” em 1995, e a partir do qual se concretizaram várias intervenções.
Nos últimos cem anos, factor relevante neste caminho patrimonial ocorreu em 1951, com a criação da Liga dos Amigos do Castelo de Sesimbra, a que em 1955 se seguiriam os estudos de Eduardo da Cunha Serrão sobre o espólio arqueológico e histórico do conjunto edificado, e que em 1960 traria ponto alto, com a inauguração do Museu Arqueológico do Castelo de Sesimbra, acção enquadrada pelo ascendente do turismo no concelho e que considerou esse monumento, pólo de atracção basilar.
O conceito de valor para um recinto como é o Castelo, pode vivenciar-se pela sua identidade intrínseca, desde o lazer turístico coerente com princípios de fruição, a factor de educação disposto como herança para as gerações futuras. Encontrar linha de equilíbrio requer reflexão consistente com a interpretação do valor humano e da memória colectiva que lhe está associada, a qual evoluiu no tempo e no espaço, e que nós hoje vamos tragando passo a passo, na paisagem, na pedra e no imaginário.
Único e exclusivo para a sua, e nossa, comunidade, este legado cultural em si representa um desafio, sobretudo colectivo, por valorizar factores de singularidade no contexto da sociedade global contemporânea, veiculando-lhe um estatuto de fonte de recursos a explorar, onde a percepção da sua importância se ajustada pela sua procura, qual mercado cultural de interesses, onde emanam princípios próprios de autenticidade. A difusão desta ideia e o envolvimento da comunidade civil potencializa o despontar de outras formas de património, consciência de um registo colectivo memorial, pois ao não se considerar o monumento propriedade da geração actual, o seu estatuto cria mecanismos de excepção que lhe conferem atributos únicos de pertença, sem mensuração financeira nem preço económico, mas de perpétuo usufruto público.
A salvaguarda desta herança tende a ser vista enquanto proposta concretizável de progresso, sentido no contexto geográfico do concelho em constante evolução, mercê das suas apetências naturais e humanas. Conservar o património, nos princípios da sua salvaguarda e fruição, é sem dúvida uma proposta aliciante que suscita perguntas e respostas, as quais permitem-nos conhecer a nossa própria identidade, pois instituem em cada um, fontes de conhecimento e aguçam o desfrute individual da procura, e que tornam o Castelo um recanto de maravilhas acessível a todos.
Cem anos volvidos, as realidades do país conheceram mudanças drásticas, de uma I Grande Guerra a uma Guerra Colonial, de profundas alterações políticas com o evoluir da Monarquia para a Republica, a imensas alterações ideológicas, do Fascismo para a Democracia. A economia evoluiu numa escala sem precedentes, de uma economia interna nacional, em que o escudo era padrão de afirmação, até uma economia global europeísta onde o euro se afirma. A sociedade portuguesa, de rural passou a proletária, homens e mulheres tem os mesmos direitos, a educação para todos é uma realidade, as realidades do emprego marcam o desígnio das novas gerações.
Num profundo século de mudanças, o Castelo permanece, material e imaterial, imutável na sua presença e símbolo da integridade de uma cultura. Mais uma centúria vivida, como tantas outras antes, o seu valor perdura e frutificada em cada nova geração. É este o seu contributo, e o melhor legado que poderemos receber.
Luís Ferreira
Paulo Braula Reis

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